quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Palavrão e a Sombra - Parte 1

“Os desapontamentos da vida são mais difíceis de encarar quando você não conhece nenhum palavrão.”
Calvin, personagem da charge
Calvin & Haroldo criada por Watterson


Não é nova a mania das pessoas de ofenderem a moral alheia.
Seria ousado dizer isso, mas em todas as épocas da humanidade sempre utilizamos o recurso de ofensas verbais para denegrir a reputação de alguém ou até mesmo rebaixá-la diante de nossos olhos.
Falemos, então da maneira mais rápida e costumeira de ofender alguém: o palavrão.
Resolvi falar dos palavrões, pois eles expressam diretamente as grandes sombras de um período e comunidade.
Os palavrões ao longo da história assumiram diversas texturas dependendo do momento político, social ou religioso predominante.
Seria estranho alguém ofender ou ser ofendido ao utilizar termos como blasfemo, comunista, leproso ou plebeu. Essas são ofensas morais ultrapassadas e que carregavam todo o contexto histórico da fase em que eram utilizados.
Descreveremos os mais utilizados e depois comentaremos sobre alguns.
Filho-da-puta, cuzão, viado, canalha, bixa, mulambento, safado, ladrão, vai tomar no cu, vai se fuder, vai pra puta que o pariu, galinha, vadia, puta, vagabunda, talarico, chifrudo, cornudo, rampeira, puxa-saco, cretino, burro, preto-safado, negão, traira, muquirana, merda, bosta, caralho, porra, retardado, débil mental, maluco, depravado, tarado, branquela, quatro-olhos, cu-de-ferro, mão-de-vaca, orelhudo, dentuço, cabeção, baiano, gringo, topetudo, raspa de taxo, bunda mole, baitola, cabrão (viado em português) e aeroporto de mosquito, escroto e etc.

Se pudéssemos classificar por temas, ficaria mais ou menos assim.

Corporal-Sexual: Filho-da-puta, cuzão, viado, canalha, bixa, safado, vai tomar no cu, vai se fuder, vai pra puta que o pariu, merda, bosta, caralho, porra, depravado, tarado

Comportamento: galinha, vadia, puta, vagabunda, talarico, chifrudo, cornudo, rampeira, traira, topetudo

Financeiro: ladrão, puxa-saco, muquirana, mão-de-vaca

Racial: preto-safado, negão, branquela, loira burra, baiano, gringo

Intelectual: cretino, burro, retardado, débil mental, maluco, cú-de-ferro

Estética: quatro-olhos, mulanbento, orelhudo, dentuço, cabeção

No início do século XXI, na cultura brasileira, ainda predominam as ofensas de cunho eminentemente afetivo-sexuais.
A sexualidade ainda é tema de tabus, conflitos e embates íntimos numa época onde se prega tanta liberdade sexual.
A liberdade sexual genuína livre de distorções, traumas, infantilismos é vivida por raras pessoas. Não há normatividade, regras e manuais de auto-ajuda que estimulem uma mudança radical no comportamento sexual das pessoas.
O sexo foi, é e será sempre um tema controverso e repleto de exageros, mal-entendidos e gerador de problemas. Pois no fundo o sexo mexe com duas dimensões também controversas na temática existencial humana: matéria e espírito, o corpo de um lado e o amor de outro.
Dos palavrões enumerados os que ferem mais a suscetibilidade alheia é o FILHO DA PUTA, pois ele mexe com múltiplas sombras nossas. Nem sequer questionamos a natureza dessa ofensa. Atrás dela trazemos uma série de preconceitos e distorções sobre a sexualidade e sobre a figura “sagrada” da mãe. O FILHO DA PUTA é aquele que foi nascido de uma prostituta, carrega consigo os dramas mais infames que qualquer um teme passar, ser filho de uma mulher que vende suas práticas sexuais em troca de quantias variadas. O FILHO DA PUTA pode ser um filho de pai desconhecido, fruto do interesse puramente corporal e destituído de compromisso e sentimento de amor, é o símbolo do bastardo renegado e sujo.
Sua mãe não tem moral, seu pai não tem face e sua concepção é destituída de intimidade afetiva. É o filho da imundice social. Da mulher que é o expurgo e sombra da humanidade “a profissão mais antiga do mundo” se diz.
Esse artigo continua, pois continuarei falando sobre o FILHO DA PUTA e falarei sobre como VAI TOMAR NO CÚ e outros. Acompanhe!

5 comentários:

  1. Rs. Me lembro na epoca de escola qdo algum coleguinha chamava outro de "filho da puta" e o tal chorava COPIOSAMENTE! Eu pensava: mas porque ele ta chorando? a mae dele não é puta e ele sabe disso! As vezes o palavrao me parece só uma forma reducionista e automatica de resolver as coisas. Tipo, "ah, ele é um filho da puta entao ele que va se fuder", e pronto! Vira-se a pagina... Se ele "é" ou se ele "vai" ja são outros quinhentos...
    E pode ser banalizado ou não. Se vc chamar todo mundo de filho da puta, logo o termo vai perder a força motriz! Agora, se vc economiza ou quase não se utiliza desses termos, quando for necessario vir a tona...ah...será Libertador!
    Na realidade o tal filho da puta nem é filho de uma prostituta mesmo...então, talvez tanto faça! Chama-lo de gordo, sendo ele um, talvez ate pudesse ofende-lo mais. Chama-la de FUTIL, sendo ela vazia, desinteressante e superficial, talvez ofendesse bem mais...
    Enqto escrevo, percebo que a eficacia de dizer o palavrao, talvez tenha mais a ver com a sua postura em dize-lo que a ligação de realidade com o pobre coitado.
    Sei la...
    Só sei que falar liberta!
    Escrever liberta!
    Mandar alguem de vez enqdo pra puta que pariu,ainda que só em pensamento,ja pode ser uma sensação dos deuses!rs

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  2. Essa analise tem o objetivo de tirar a fantasia do diabo para ver que ele é um menininho rosadinho, pelado, com frio e que não assusta ninguém.
    Muito bom seu depoimento! rs

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  3. Danielle de oliveira11 de setembro de 2009 22:49

    Afff Adoro os palavrões e para desespero da minha família os uso com muita frequência e naturalidade.
    Ta aí, gosto mesmo deles, vc lembra né?

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  4. Nunca entendi muito bem, pq as pessoas se sentem tão ofendidas com os palavrões FdP e Tomar no c... Muitos alunos meus pediam para traduzir p/ o alemão estes termos, mas ninguém usa-os lá e nem se ofendem qdo um brasileiro fala em alemão estes termos. Os alemães usam as características dos animais p/ ofenderem as pessoas, tipo tartaruga - lentidão, elefante - gordo, etc... O unico termo ofensivo é NAZI (de nazista), mas este tem um por quê da hostória da Alemanha.

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