quinta-feira, 17 de junho de 2010

Segunda vez




Há coisas na vida que simplesmente não se repetem, portanto há que se deixar entregar sem dó e nem medo...
Você nunca mais terá dois aniversários de 23 anos
Nunca mais terá um segundo primeiro beijo
Nunca mais terá um segundo primeiro amigo de infância
Nunca mais terá um segundo natal na casa da vó com 7 anos de idade
Nunca mais terá um segundo primeiro medo de fantasma na casa vazia
Nunca mais terá uma segunda primeira desilusão amorosa
Nunca mais terá um segundo abraço de consolo num dia de inverno
Nunca mais terá uma segunda chance de se despedir de alguém que partiu
Nunca mais terá um segundo primeiro filho
Nunca mais terá um segundo primeiro carro usado
Nunca mais terá um segundo frio na barriga pelo primeiro emprego
Nunca mais terá um segundo soluço de rir de nada importante
Nunca mais terá um segundo adeus sentido da mãe que sai para trabalhar
Nunca mais terá um segundo comichão por causa de carrapato no meio do campo
Nunca mais terá uma segunda queda desprevinida em agua de riacho gelada
Nunca mais terá um segundo momento para pensar que é a primeira coisa daquilo que está fazendo
E se parar para pensar nada é a segunda vez... Tudo é a primeira e única.
Não deixe que seus olhos se acostumem e seu coração se anestesie diante de toda primeira vez na vida que é definitivamente a primeira a todo o momento...
Não guarde felicidade para amanhã, pois ela não se submete a nenhuma poupança espiritual...
Felicidade só existe aqui e agora...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Feliz aniversário



Gostaria de agradecer a todos por esse primeiro ano do blog...
A todos que acompanharam esse ano e divulgaram, opinaram, acompanharam de longe... Sem vocês eu não ficaria motivado a escrever...
Feliz aniversário ao blog e vocês todos!

sábado, 15 de maio de 2010

A busca da perfeição e o canto das sereias

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É pagar um preço alto
para se viver infeliz
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Hoje em dia somos confrontados com uma busca constante pela perfeição. A mídia refletindo uma ânsia coletiva e ideal cria uma demanda incomparávelpor excelência profissional, ética, corporal, intelectual, financeira e outras.
O desejo de perfeição que sempre foi humano, na atualidade, assume ares desumanos. A busca pelo corpo e a saúde perfeitas com numa briga constante conduzem pessoas a tratamentos e procedimentos médicos exagerados.
Na clínica me deparo com pessoas de todos os tipos, algumas mais e outras menos bem-sucedidas e, no entanto, quase todas insatisfeitas.
O que levaria uma pessoa bonita, com dinheiro, status e prestígio social sentir-se infeliz mesmo com tudo o que tem?
Certamente é o nível de expectativa que nutre em relação à vida.
Se a perfeição é a meta, a insatisfação crônica é o resultado.
Muitas pessoas dizem "busco a perfeição, apesar de saber que ela é inatingível"
Isso me faz lembrar a lenda do herói grego Ulisses na Odisséia, quando retorna para casa depois da Guerra de Tróia após dez anos de luta.
Entre tantos inimigos e criaturas que ele precisa enfrentar, além da fúria dos deuses, uma em especial me chamou a atenção.
Ele foi avisado que perto da Ilha de Capri enfrentaria o canto das sereias. Mulheres muito bonitas tentariam, com seu canto, atrair os marinheiros para o fundo do mar a fim de devorá-los.

Ulisses tomou uma sábia decisão, pediu que o amarrassem ao mastro do navio para que resistisse à tentação de ir ao encontro delas. Quanto aos marinheiros, colocou cera em seus ouvidos para que não ouvissem o canto das doces e terríveis criaturas do mar.
Alguns aceitaram e sobreviveram, outros se recusaram e foram engolidos pela sua prepotência.
Penso que a busca da perfeição é como o canto das sereias. Mulheres lindas e apetitosas que se revelam incapacitadas de oferecer o gozo que os marinheiros procuram, ou seja, inalcançável.
A ilusão de que poderiam dar prazer ilimitado é substituida por morte por afogamento ou devoramento.
A busca da perfeição nos conduz ao mesmo. Quantas vezes nos atiramos numa busca fantástica por um comportamento exemplar, não-humano e inatingível e nos devoramos por dentro com autoacusações de incompetência?
Ulisses passa pela tentação mais dolorosa, pois se permite experimentar o canto, vislumbra o paraíso de perto, mas resiste. Ele procura se fixar no princípio de realidade e saber que aquela promessa de prazer ilimitado é uma doce ilusão.
Estamos em nossa odisséia como Ulisses, seremos tentados por exigências internas de deleites sem fim. Oras estaremos amarrados à realidade, oras surdos pelas ceras da negação. Também podemos sucumbir ao poder dos deuses e ser devorados.
Mas buscar o inatingível é pagar um preço alto para se viver infeliz com aquilo que não é, por que não é possível que seja.
A cura dessa maldição é estar firme no mastro de aceitar o que é como é. Aceitar a nossa condição humana que busca a transformação e abdica da perfeição, que não existe... Pois é a ausência de movimento, antítese da própria vida que se movimenta sempre!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Liberdade

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Está condenado a ser livre e
assumir as conseqüências para si
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Eu ouço com muita frequencia as pessoas que eu atendo dizerem que não vivem sem sua liberdade...
Eu me pergunto nessas horas, o que essa pessoa realmente está querendo dizer com liberdade?
A imagem q vêm à mente é da pessoa numa moto com cabelo ao vento...
Liberdade enquanto busca de aventura... Essa é a imagem comum...
Não compartilho dessa visão de liberdade.

A liberdade é antes de tudo uma condição humana intransferível.
É a condição para que tudo se manifeste nesse espaço desconhecido da existência humana. É poder escolher entre muitos caminhos...
Portanto se alguém diz “eu não quero isso” antes é preciso que perceba se consegue ou pode fazer isso. Pois dizer que não quer só é possível diante da possibilidade de escolha. “Escolho estar sozinha!”, ouço muito isso no consultório. Rebato dizendo, se quisesse ser diferente conseguiria? O silêncio responde negativamente, então replico, não é uma escolha livre, é uma condição da qual você não consegue ou quer se libertar. Você está presa na sua falta escolha livre, portanto, não livre.
Para ter uma livre escolha é preciso também ter clareza do que se escolhe e do que se quer. Sem isso é improvável que a escolha seja realmente livre de determinantes sociais e entulhos psicológicos infantis.
A vontade humana que define o que escolhemos também assume uma multiplicidade de caminhos que nem sempre estão postos de maneira simples. Portanto, nossa vontade não é livre...
Diante dessa posição da idéia de liberdade vivemos um paradoxo. Somos incondicionalmente livres numa inconsciência e inabilidade de nossa liberdade.
Isso provoca angústia, pois está condenado a ser livre e assumir as conseqüências para si de suas atitudes. Sem autonomia e responsabilidade a liberdade nada mais é que um espaço psíquico de movimentação sem sentido na vida.
Pode-se passar uma vida inteira atribuindo a culpa de todos os problemas aos outros, mas até para isso teremos que admitir que escolhemos não escolher...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fácil amar, difícil ser amado

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Em torno da dor criamos barreiras e
medos que nos assombram
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Você já ouviu alguém lhe confessar? "Eu gosto de uma pessoa que não gosta de mim, e aquela outra que gosta de mim eu não gosto!"
Eu ouço isso o tempo todo na clínica.

E durante anos esse assunto me intrigou "por que presamos quem nos despreza e desprezamos quem nos presa".
Durante um atendimento nessa semana consegui formular melhor meus pensamentos. Vou tentar colocar essas idéias que venho elaborando há anos...
Noto que desejamos ser amados e importantes para alguém. Isso é até obvio. Mas porque exatamente no momento que somos amados algo dentro de nós nos paralisa? E por que gostamos de alguém no exato momento em que nos sintimos rejeitados e isso até intensifica o desejo?
Bem, vamos por parte.
Esse sentimento de amor interrompido é vivido pela primeira vez na relação com os pais. É o primeiro amor proibido e que nos é negado pela cultura, não podemos concretizar nossa intenção amorosa com os pais. A não ser no plano da idealização.
Essa relação passa a configurar o primeiro triângulo amoroso da nossa vida. Aquele quem eu desejo não me deseja. A primeira desilusão amorosa e dor sentimental fica registrada em meu inconsciente.
Em nossas peregrinações amorosas buscamos outra possibilidade de amor. Mas já carregamos essa primeira ferida.
Em torno da dor criamos barreiras e medos que nos assombram a cada vez que nos sentimos envolvidos pelo amor.
Quando notamos alguém que nos ama aquele sinal de alerta inconsciente dispara "CUIDADO, você va se machucar, não se prenda a ninguém".
Esse temor de viver uma história concreta e não idealizada de amor nos congela a alma. Pois nos confere responsabilidade ("tu te torna eternamente responsável por aquele que cativas") e esse sentimento nos apavora. O de não sermos bons o suficientes para preencher o amor dos outros. Diante do amor alheio nossa criança ferida recua e teme viver uma intimidade, o apego e a possibilidade do fracasso, rejieção e abandono.
Já a posição de rejeitado é confortável, pois ficamos num eterno embate com um rival inimigo. Essa raiva misturada com desprezo nos coloca num vitimismo queixoso e paralisante. Ficamos estagnados no tempo e espaço à espera daquela pessoa amada. Perdemos a responsabilidade pela nossa vida e ficamos à mercê de outra pessoa. Dependo dela para ser feliz e não mais de mim.
Do contrário, ser amado me confere uma responsabilidade para com o sentimento alheio que talvez não me sinto preparado. A realidade é sempre desconfortável se comparada com a idealização. E diante da realidade de alguém que me ama também sou colocado diante de meu ressentimento do passado, a sombra irrompe e diz: "Agora seria um bom momento para fazer essa pessoa experimentar um pouco do que eu sofri".
Nessa hora surge o nosso sentimento de desprezo pelo outro, achamos as demonstrações de afeto da pessoa bobas e melosas. O amor dela nos parece tolo e infantil e assumimos a posição dos nossos pais que nos proibiram o amor.
Por isso que quando alguém que desprezávamos desiste e segue em outra direção passamos a valorizar aquela demonstração do passado, pois daí passamos à condição de vítima e já não somos mais responsáveis por corresponder à altura do sentimento alheio.
Amar e ser rejeitado me coloca diante da raiva passiva.
Ser amado me coloca diante da responsabilidade de uma realidade de amor.
E disso dependeria minha felicidade.
Mas no fundo preferimos a fantasia à realidade. A rejeição vitimizada ao amor maduro. Preferimos a infância à vida adulta.
Amar me faz poderoso, ser amado me torna vulnerável. Dar me confere força moral, receber me expõe aos medos e inseguranças.
Por isso é mais fácil amar do que ser amado!
Se minha explicação ficou confusa, por favor perguntem pois quando brota algo assim prefiro escrever...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Conseguir e Querer

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Mais inteiros, plenos e cheios de vida

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Acho estranho nossa mania (humana) de usar termos como "eu não consigo" ou "eu não posso".
Quando alguém me fala isso na terapia eu sempre questiono: mas quem não deixa você fazer isso aí dentro de você?
Quando a pessoa diz "eu não consigo" ela não está assumindo plenamente o que está ocorrendo. Peço para que ela assuma dizendo "eu não quero".
Brinco que ela não conseguiria caso houvesse um alienígena habitando seu interior e tramando contra ela. Na verdade há, a sombra, que é a dimensão não consciente da personalidade e que se não for bem acolhida e compreendida pode causar problemas práticos.
Nós brasileiros temos uma dificuldade tremenda em dizer NÃO às pessoas. Queremos, com nosso excesso de gentileza, atender a tudo e a todos e não gostamos de passar por chatos, grosseiros e coisas do gênero.
Mas porque dizer que não consegue quando na verdade não quer?
Não conseguir é uma maneira passiva de lidar com as decisões, soa como se não fosse você que está agindo naquela situação. Eu não consigo quer dizer "eu não quero, talvez não tente e mesmo se tentar nem sei se quero conseguir". Seria mais honesto dizer "veja bem, nesse momento não quero me comprometer com essa situação".
Mas o que isso muda na prática?
Muda o fato de que nos tornamos mais inteiros, plenos e cheios de vida. Assumimos a autoria de nossa vida e isso promove uma verdadeira sensação de autoconhecimento, autoestima e motivação pessoal.
Então assuma as rédeas da vida em suas mãos!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sexta-feira da paixão

Dizem que Cristo morreu na cruz por nós...

Será que o sofrimento dele nos ensinou algo de fato?

Jesus, o homem, viveu a existência mais encantadora que ele poderia ter vivido.

Dedicou seus últimos anos para viver intensamente, participou de casamentos, almoços, momentos de oração, encontros com pessoas de todos os tipos. Ele conviveu sem problemas com criminosos, prostitutas, milionários, mendigos, reis e moribundos.

Jesus estava disposto a conhecer quem aparecesse no seu caminho, por que não tinha medo de se entregar à vida.

Ele dava a chance de ter bons amigos ao seu lado, sua forma de enxergar o mundo é tão impressionante que não havia ninguém que conseguisse passar por ele sem ser tocado.

O grande milagre de Jesus era caminhar pela Judéia como uma estrela cadente, pois se você tivesse fé no seu desejo, ele se realizaria.

Jesus acreditava em seus próprios desejos, sabia que Deus habitava o seu interior.

Para falar com Deus ele não ajoelhava, apenas consultava seu coração, pois ali estaria o seu tesouro.

Jesus nunca desistiu dos seus objetivos porque não tinha pretensões. Sabia do medo que habita o coração humano, pois de tão humano que era chorou quando Lázaro morreu, sorriu no casamento de Canaã, brincou com as crianças de Betsaida e se banhou alegre no rio Jordão.

Apenas convidava cada um que passava “venha! me siga, não tenha medo do pecado, eles serão perdoados!”

Sua presença de espírito era tão poderosa que multidões se alimentavam de suas palavras como se tivessem nos lábios o pão e o peixe.

Mas no fundo era simples, desde andar descalço nas areias de Jerusalém, até lavar os pés dos amigos íntimos ou freqüentar palácios de reis.

Sua mensagem era sua vida, o amor possível do dia-a-dia, aquele do abraço, do beijo e do incentivo.

A crucificação, portanto, foi só mais um dia de sua vida. Jesus morreu por si mesmo e por isso mesmo nos ensinou a viver nossa própria história com amor ao próximo e fé no fluxo da vida. Do primeiro ao último de nossos dias...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Isabella, Nardoni e Madrasta



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Abrigam "demônios" incontroláveis
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O julgamento de Nardoni e Ana Carolina Jatobá ergue um fantasma antigo da época da morte da menina Isabella: até onde pode ir a ação dos pais contra os filhos.
Quando escrevi sobre o julgamento de Roger Abdelmashi não entrei no mérito jurídico, se é ou não culpado.

Mas escrevo no âmbito da psicologia e o que esse fenômeno de mídia provoca nas pessoas.
Por que um caso desse causa tanta comoção?
Por que mexe com um tema considerado sagrado: o amor dos pais pelos filhos...
Acreditamos instintivamente que um pai e uma mãe garantiriam todo o bem-estar e integridade física, emocional, mental e espiritual da criança.
No entanto, vemos na prática uma série de problemas em torno da educação dos filhos.
Os pais não são perfeitos, são humanos e cheios de limitações como qualquer outra pessoa.
A hierarquia natural de força física, desenvoltura emocional, bagagem intelectual e vivência coloca os filhos numa condição desfavorecida.
Estão sob o jugo dos pais em todos os sentidos. Pais impulsivos, ansiosos e agressivos irão ver na criança impotente uma forma de extravasar suas frustrações, insatisfações e infelicidades. Pais que se mostram excessivamente zelosos e cuidadores também podem correr esse risco.
Nenhum pai ou mãe está isento de cometer exageros em nome de um "amor paternal". Por isso o que aconteceu com Isabella incomoda tanto, cada pai e mãe se vê confrontado com seu próprio desequilíbrio e descontrole.
Mas como não sabem lidar com esses sentimentos projetam na figura de Nardoni e Jatobá sua hostilidade. É mais confortável acusá-los e condená-los do que meditar sobre o próprio papel na educação dos filhos.
Nada a favor ou contra a Ana Jatobá, mas as madrastas são o alvo predileto para projeções das sombras da mãe.
Antes de julgar o caso Isabella procure mergulhar um pouco mais profundo em sua indignação e perceberá que existem camadas no seu inconsciente que abrigam "demônios" incontroláveis.
E sabe por que os pais agridem os filhos? Porque eles sentem que podem... São mais fortes e têm o álibi de "estou só educando".
Diante de minhas palavras muitos pais podem pensar: ele está sendo muito duro ou cair num vitimismo do tipo: errei em tudo na educação do meu filho.
Nenhuma coisa e nem outra são verdadeiras, mas analise no fundo do seu coração: seu filho (apesar de todo o amor que sente) lhe provoca profundas sensações de desconforto, rejeição, impotência e raiva. Tudo natural... Mas se você nega esses sentimentos é provável que vá descarregar sua agressividade num momento inadequado e numa intensidade desproporcional.
Medite e reflita antes de condenar qualquer pessoa no tribunal do seu coração...


sexta-feira, 12 de março de 2010

Vida e morte

Muitas pessoas se vêem com o medo da morte. Atendi uma pessoa que perdeu recentemente uma pessoa muito querida em sua vida, "ela era tudo para mim!". Agora, após um tempo ela própria se via com medo de morrer subitamente como aquela pessoa.
Disse a ela: "você parou para pensar que ela morreu da melhor maneira que poderia morrer?". "Subitamente? Foi terrível!", ela me respondeu. "Sim, subitamente e fazendo coisas muito normais como escovar o dente, pentear o cabelo e prepara-se para dormir, por que não dizer num dia feliz".
Eu e a paciente fomos tomados de espanto com essa visão das coisas (as vezes eu me espanto com as coisas que eu falo). E enquanto eu a atendia e outras idéias surgiam eu próprio me alimentava desse raciocínio.
Como queremos morrer?
Winnicott, famoso psicanalista britânico de atendimento à crianças diz num texto conhecido "Deus, me permita estar vivo quando eu morrer!".
Essa idéia me tocou profundamente quando eu li. Estar vivo e pleno no momento da morte, não é o máximo?
De acordo com sua reação você pode conhecer um pouco a seu respeito e da maneira como vive!
Se você pensou "eu não, ter que deixar tudo que estou fazendo, ainda não realizei nada que queria!". Isso talvez denuncie que você está vivendo excessivamente preocupado com o futuro e pouco atento em como está levando sua vida hoje. Mas seu futuro é resultado de hoje! Contraditório! A pessoa leva uma vida miserável e triste hoje para no futuro colher bons frutos. Lá na frente ela estará tão amarga e desacostumada com o bem-estar que não nem saber e poder usufruir o que conquistou.
Outros pensam "eu queria morrer dormindo". Isso revela que ela quer morrer sem estar presente e evitando todo tipo de desconforto. É provável que viva dormindo agora, evitando qualquer tipo de emoção ou experiência mais forte e significativa.
Notem qual pobre é esse tipo de raciocínio! Como estamos evitando momentos especiais na nossa vida. Como somos previsíveis, conservadores e preconceituosos. Mortos-vivos...
Disse para ela, quando você tiver medo de morrer e seu coração acelerar pelo menos levante da cama e sambe, morra alegre! O riso foi inevitável de nós dois.
Você tem medo de sentir saudade das pessoas caso descubra que existe uma vida do lado de lá?Melhor ter saudade do que rancor. Melhor uma vida que valha a pena do que uma vida arrastada onde você não se sofreu, mas também não gozou nada.
Viver com planos é ótimo, desde que você saiba que uma há cláusula desse plano que diz: "é possível que precise abandonar esse plano a qualquer momento!". Casa, carro, roupa, dinheiro são muito importantes, mas se você não estiver usufruindo a vida enquanto conquista tudo isso eu diria que são apenas distrações inúteis. Distrações que você criou para fugir de si mesmo!
Se você tem algo a dizer diga, se quiser abraçar abrace, se quiser casar case, se quiser ter filhos tenha, se quiser abrir mão disso tudo abra. Coloque a vida em movimento, pois o enigma da morte é revelar de que modo viver até lá. E esse lá pode ser daqui 50 anos ou daqui 5 segundos.
Portanto, saia da frente desse computador agora e vá fazer algo que tenha significado pessoal à você! Se tiver vontade, é claro!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Você é transparente?







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Seu profundo medo de ser

ferido emocionalmente

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Hoje em dia há uma mania de algumas pessoas afirmarem "eu sou transparente, sincero e espontâneo, quem quiser me aguentar que já saiba que eu sou assim! Eu falo o que tiver que falar para quem quiser! Falo na cara!"

Acho estranho isso... Realmente acho...

Tenho até um pouco de dó das pessoas que falam isso... Ou compaixão, sei lá!

Mas quando eu ouço isso eu leio nas entrelinhas "já fui tão machucado pelos outros, estou com medo de não ser amado e por isso eu ataco antes de que alguém me faça algum mal!"

É uma realidade triste que vive esse tipo de pessoa, está sempre desconfiado, tenso e na defensiva. É um desgaste sem tamanho para conseguir imprimir uma personalidade aparentemente espontânea e forte.

Curiosamente ela associa espontaneidade com agressividade, pois o jeito sincero é aquele que só é capaz de falar verdades duras. Na sua maioria, verdades cruéis.

A pretexto de transparência algumas pessoas se tornam sincerocidas, matam o outro com tanta sinceridade. Acreditam (sem perceber) que a unica coisa espontânea que pode sair dela são palavras duras. Como se carregassem uma coisa ruim dentro dela.

É difícil ver essas pessoas dizerem que amam, sentem falta e estão frágeis. Se fossem transparentes esses sentimentos também viriam à tona.

A dificuldade de mostrar sua vulnerabilidade denuncia seu profundo medo de ser ferido emocionalmente. Adotam uma postura na vida que chamamos de contra-fóbica, de tanto medo que tem adotam uma postura extremamente oposta.

O medo de ser rejeitado é tanto que a pessoa escancara seu jeito bélico de ser, na dentro está encolhida morrendo de medo de ser criticada. E se caso for criticada já tem uma contra-crítica na ponta da língua "eu não preciso de você pra nada, você não paga minhas contas, então pouco me importa sua opinião!". Mentira, tudo mentira, pois ela rebate o golpe só para não sentir a dor de ter sido repudiada.

É como se dissessem "sou podre por dentro, ninguém gosta de mim, sendo assim você vai se atrever a gostar de mim?". É como se impusessem uma bateria de testes para que os outros provem que a amam. Após inúmeras "provas de amor" aceitam o candidato.

A pena é que esses candidatos a amigos são sempre pessoas de personalidade frágil, dependente e com uma autoestima no pé. Por essa razão se escondem debaixo do guarda-chuva tempestivo da pessoa "sincera". Melhor ser amigo do que inimigo, elas pensam. Acabarão sendo um penico ao ouvir as verdades duras da boca do sincero, que sempre falará com ar de "estou falando para o seu bem, para você crescer e parar de ser pacato, você tem que se posicionar mais!".

Se os amigos do sincero fossem se posicionar diriam "você é grosseiro, cruel, sarcástico e já me fez chorar muitas vezes, nem sei porque gosto de você, acho que porque eu não tenho um pingo de amor próprio, pois se tivesse eu mandaria você para a p. que o pariu! Quando você vai perceber isso, se tratar e demonstrar carinho sem ser alternado com pancada?"

Você teria orgulho de dizer daqui pra frente que é sincero e transparente?

quinta-feira, 4 de março de 2010

A maior sombra: o eu

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Caminha na terra com a mesma

condição de mortalidade dos demais

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Qual a maior sombra da humanidade?

O desejo de poder. Certamente essa é a maior sombra que todos carregamos e que está fundada numa base simples e comum a humanidade: o sentimento do EU.

É fundamental o sentimento de termos um EU que pensa, age, vive e tem alguma lógica coerente. A capacidade de sentir que eu sou um EU me ajuda a governar meus passos.

No entanto, associado à esse sentimento há outros que marcam o exagero dessa idéia de EU: o exclusivismo e privilégio.

Chamarei esse trio de EU, exclusivismo e privilégio de “EUlândia”. Vivemos nesse parque de diversões desde pequenos. Somos exclusivos da nossa mãe, alimentados, cuidados e acariciados como se fôssemos únicos. Com o tempo descobrimos amargamente que somos mais uma entre várias fontes de satisfação para a mãe. Mas guardamos esse sentimento de nostalgia. Queremos ser exclusivos para tudo e todos, não toleramos dividir atenção e amor.

O privilégio segue na mesma lógica, pois como somos exclusivos precisamos ser prioridade. Basta ver o trânsito paulistano, cada motorista acredita que só ele precisa chegar mais rápido no seu destino. Por isso age como se tivesse preferência em relação aos outros. Quando algo ruim acontece na vida de alguém ela se pergunta “por que eu?”, oras, por que não ela?

Os moradores da “EUlândia” não conseguem ter uma empatia sincera, de realmente se colocar no lugar dos outros. Perdem a noção de que não são os atores principais do filme cósmico. Agem como se estivessem interpretando a saga de suas vidas exclusivas e privilegiadas e que os demais são meros coadjuvantes e figurantes. Peças no seu tabuleiro que podem ser colocadas e retiradas quando quiser.

Todo o sofrimento do “EUlandes” gira em torno de seus fracassos, pois acredita que a vida deveria favorecê-lo frente os demais. Sua lógica competitiva não lhe permite perceber que caminha na terra com a mesma condição de mortalidade dos demais.

Aliás, a morte é um assunto tabu para o morador da “EUlândia”, pois a finitude confronta seus sentimento de privilégio, pois nem ele será poupado de um dia deixar a terra como todos os outros. Feiúra, doença e velhice são temas proibidos porque remetem à decrepitude humana.

O “EUlandes” não pode esperar, é ansioso, controlador, irritado e acredita que se der um jeitinho tudo chega conforme seus desejos. Se é um morador da “EUlândia” competente e persistente ele até pode conseguir alguns resultados e obter sucesso, mas se não for tão bom nisso é capaz que fique depressivo e reclamando que nada sai ao seu gosto.

Essa busca de dominância do EU sobre o mundo e os outros causa tantos problemas de convívio que eu poderia passar horas enumerando eles.

Mas por hora, já está bom! Viva a “EUlândia”!


Ps: sei que fiquei afastado do blog, só estava recarregando as baterias sombrias! Estou de volta!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A rotina e a felicidade

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Nos escondemos do
desconhecido e da felicidade
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Minha profissão de psicólogo me permite observar coisas lindas e assustadoras da natureza humana.
Aliás, quanto mais eu conheço as pessoas e a mim mesmo mais eu acredito que é muito difícil definir qual é o sentido da vida e do universo.
De forma superficial cada pessoa encontra um sentido específico para si mesmo. Alguns buscam no trabalho, outros na família, ainda os que buscam num amor e aqueles que buscam na religião.
Todas essas formas cotidianas de lidar com a realidade são tentativas saudáveis de todos nós lidarmos com o mistério da vida.
Se olharmos mais profundamente se o sentido da vida vai sendo construído na medida que a vida acontece ele não está pré-determinado à priori como muitos pensam. Há tendências e possibilidades, nunca certezas.
Para lidar com a sensação desconfortante desse enigma constante criamos a rotina como forma de demarcar a passagem do tempo.
Acreditamos que é segunda-feira para sentir que algo está começando e que no domingo algo finaliza (oficialmente a semana começa no domingo). No ano também, agora todos estamos com novo fôlego sendo que apenas alguns dias passaram do ano passado.
Por que é tão difícil lidar com a ambigüidade da vida?
Por que é tão doloroso suportar a inconsistência de nossas emoções?
Por que criamos categorias para classificar a experiência humana?
Porque não toleraríamos a vida se não colocássemos tudo numa caixinha.
A vida é realmente um enigma sem resposta. A realidade está a cada minuto sendo tramada pelas mãos de 7 bilhões de pessoas no planeta Terra. As possibilidades estão na escala das trilhões de trilhões de alternativas viáveis.
Não há certeza absoluta. Não podemos garantir nada para o dia seguinte, a hora que vem.
Se no mundo externo é assim que dirá no turbilhão de mudanças do mundo interior.
Cada momento muitos pensamentos, sentimentos, sensações passando por nós.
Amor e ódio, vontade e desânimo, saudade e desprezo caminham juntos no palco de nosso sistema consciente-inconsciente. Sentimentos contraditórios coabitam em nossos corações causando uma profunda sensação de estranhamento.
Para tolerar esses paradoxos criamos a rotina e as verdades absolutas. Nos escondemos do desconhecido e da felicidade. Tememos perder o controle, sair do lugar comum, arriscar o inimaginável. Sedamos a nossa capacidade criativa em nome do conforto.
Conforto esse que é apenas aparente.
O que você escolhe a certeza ou o enigma?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Entrevista no Programa de TV



Pessoal, se puderem assistam no programa
OFICINA DA MENTE
a entrevista que dei para o Humberto Pazian sobre o livro
"Por que fazemos o mal?"
3a feira, dia 12 as 18h...

Beijo a todos













terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Voice Dialogue ou Diálogo de Vozes e autoajuda

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Torna simples o tratamento com
os conflitos sem ser simplista
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Muitas pessoas têm me perguntado sobre o Voice Dialogue e para que ele serve.
Respondi ao e-mail de uma leitora com a seguinte resposta
O Voice Dialoogue é uma técnica criada por um casal de terapeutas Hal e Sidra Stone que busca trabalhar com nossas subpersonalidades. Essa técnica parte de uma visão junguiana (Carl Gustav Jung - psiquiatra suíço, criador do termo Sombra) que entendo o ser humano com múltiplas dimensões internas em que cada pessoa traz consigo múltiplas facetas da personalidade. Algumas delas seriam o Sábio interior, a Criança interior, a Sombra, a Anima, o Animus, o Crítico interno, o Jovem ousado e tantos outros.

Isso não tem nada a ver com o Transtorno de Múltiplas Personalidades, pois nessa visão da psicologia é natural que cada pessoa tenha uma múltidão dentro de si. Essa diversidade interna é que permite a riqueza e complexidade que nos torna humanos.
Diante das situações da vida cotidiana essas várias subpersonalidades acabam entrando em conflito e por esse motivo ficamos num impasse interior frente a certas decisões.
O Voice Dialogue ou Diálogo de Vozes procura dar voz a essas subpersonalidades ou partes nossas e assim criar um clima de ressonância entre elas.

Por esse motivo que não acredito em algumas fórmulas simplistas que ajudam o ser humano a resolver conflitos à partir de um único método, abordagem ou aconselhamento. O risco da autoajuda pode ser o de simplificar demais a natureza dos conflitos humanos em categorias como certo ou errado, feliz ou infeliz...

O Voice Dialogue respeita essa complexidade emocional ao mesmo tempo que torna simples o tratamento com os conflitos sem ser simplista.
É um trabalho muito rico que serve para questões de grande abrangência como questões amorosas, profissionais, espirituais, familiares...
O melhor é que pode ser um trabalho focado de alguns encontros, diferente da terapia.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Tortura emocional e autoajuda

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O maior torturado de um
torturador é a própria consciência
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No artigo do “Desafio do mal” eu pedi que as pessoas confessassem qual o maior mal que já fizeram na vida. Agora vou escrever sobre cada um dos comentários.

Anônimo 3 - de 4 de novembro disse... A minha maior maldade é a tortura emocional que eu faço com todos a minha volta. Colegas de trabalho principalmente. Faço absoluta questão de fazer com que eles se sintam um imbecis. Depois me sinto mal, mas assim que tenho outra oportunidade repito tudo de novo.


No livro de autoajuda "Por que fazemos o mal?" falei sobre ser engolido pela sombra:
"O ditado popular diz que cuspiu no prato que comeu, aqui eu diria que comeu no prato que cuspiu. No momento em que são engolidas pela sombra é como se tivessem sido “possuídas” por uma personalidade paralela que é responsável por todo o trabalho sujo. "

Muitas vezes nós temos uma pequena consciência do motivo que nos leva a fazer o mal.

No caso dessa pessoa em questão o depoimento dela me parece que ela tem pouca clareza do porquê das suas atitudes.

Talvez esteja imbuida de uma justificativa de corrigir a burrice alheia.

A sombra dela é a burrice, o que quer dizer que ela teve que superar muitos obstáculos intelectuais para vencer a si mesma. E após tantos embates internos se sentiu no direito de provar quanto os outros são imbecis.

Quando aprendemos a lidar com nossa burrice interior naturalmente os erros alheios nos incomodam menos.

Olhe para seu lado intelectualmente depreparado, perceba que existem áreas de sua vida em que você seria considerado um analfabeto. Por exemplo, uma pessoa pode ser intelectualmente brilhante, mas emocionalmente ignorante. Uma analfabeta emocional que sequer consegue expressar com refinamento qual emoção predomina em certa circunstância.

Como essa pessoa tortura os outros eu deduzo que ela é maior torturada, pois não se permite falhas. Sua condenação dos outros pesa sobre si mesma.

No fim, o maior torturado de um torturador é a própria consciência.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Por que damos esmola?

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Nos constrangemos da
nossa própria necessidade interior
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Desde que comecei o trabalho com minhas sombras eu não dou mais esmola.
Por que fiquei desumano? Egoísta? Insensível?
De forma alguma, mas em contato com minhas sombras eu consigo ver além do que meus olhos enxergam.
A mendicância não é uma prática nova. É uma profissão antiga. Em reportagem recente da Veja São Paulo fizeram uma análise de alguns pedintes. Perceberam que eles viviam de forma confortável com as esmolas que recebiam.
Pessoalmente, eu não concordo com esmolas, pois estimula uma prática que não promove evolução real. Prefiro fazer trabalho voluntário e doações para entidades filantrópicas realmente sérias.
Mas a sensação de dar esmola é quase irresistível.
Pelo simples fato de que não conseguimos resistir ao pensamento de que seríamos egoístas caso negássemos uma ajuda a uma pobre pessoa necessitada.
Podemos racionalmente até saber que aquela pessoa é um falso pobre ou aleijado, mas o peso que a culpa tem é capaz de fazer vergar no chão qualquer brutamontes.
Não gostamos de nos sentir mal ou maus. Além disso, na maior parte das vezes nos projetados na figura do necessitado e nos constrangemos da nossa própria necessidade interior. Não conseguimos recusar um pedido de nosso mendigo interior. Aquela parte sombria de nossa personalidade que tem uma voracidade e carência terrível e não pode ouvir um não.
Não falamos não para o pedinte, porque não gostamos de ouvir não da vida.
Você suporta ouvir um não?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Negação e autoajuda

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Sem perceber você será
levado de volta para o presente
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No artigo do “Desafio do mal” eu pedi que as pessoas confessassem qual o maior mal que já fizeram na vida. Agora vou escrever sobre cada um dos comentários.

Anônimo 2 - de 4 de novembro disse...
Minha maior maldade foi na infância, adorava arrancar as pernas das formigas uma a uma. Já tinha me esquecido disso. Será que é bom lembrar das maldades que fizemos ou sepultá-las no esquecimento? Parece que trazer a tona essas lembranças faz-nos sofrer, até quando...?

No livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" falo sobre negação
“Negar um assunto, acontecimento ou característica só prolonga o sofrimento de vivê-lo. Acreditar-se mais do que é ou menos do que poderia ser não torna você realmente grande ou pequeno”

A negação de algum acontecimento passado, ao contrário do que pensa a maioria não alivia o sentimento passado. É como se você deixasse a massa do pão descansar com fermento, em uma hora estará o dobro de tamanho.
A diferença entre um luto bem vivido e um mal vivido é sutil.
O luto mal vivido é cheio de lamentação, choramingos, revolta e dramaticidade. E dessa forma tentamos criar barreiras emocionais para não reviver aquela dor. Mas ela permanece lá, à espera de ser olhada com carinho, segurança e amor.
O luto bem vivido é silencioso, com lágrimas profundas e até um sentimento inicial de desolamento. Quando esse sentimento é realmente vivenciado cria uma sensação de pesar que vai sendo lentamente substituída pelo reencanto da vida.
A negação não permite esse reencantamento, ela induz à uma sensação de paralisia emocional que bloqueia todos os canais da vida. É como conviver com um elefante colorido no meio da sala e fingir que ele não está lá.
A pessoa que nega o passado normalmente revive o pesadelo do passado como se fosse o presente.
Trazer a tona as lembranças e olhá-las com carinho é respeitar aquela pessoa que fomos e que merece toda a nossa compaixão sincera. E não importa quantas vezes voltemos para abraçá-la, pois em algum momento ela irá retribuir a atenção com uma doce e suave despedida.
Sem perceber você será levado de volta para o presente sem esforço e aquela impressão ruim ficará como algo realmente do passado!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Culpa e autoajuda

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O mal imaginado é menor
que o falso bem realizado
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No artigo do “Desafio do mal” eu pedi que as pessoas confessassem qual o maior mal que já fizeram na vida. Agora vou escrever sobre cada um dos comentários.

Anônimo 1 - de 3 de novembro disse...
Já fiz tantas maldades, desde sempre, que me é difícil escolher uma.O que me incomoda é não saber do que sou capaz; de não conseguir controlar os meus instintos, num determinado momento, e de vir a sofrer a vida inteira, pelo mal que fiz e/ou causei, e pelo juízo que possam fazer de mim.A minha maior maldade é de não assumir as maldades. Temo ser capaz de tudo. Porém, luto por gostar de mim e de viver em harmonia com os demais.abraço

No livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" faço um alerta importante sobre a culpa.

“Há uma grande diferença entre sentir culpa e assumir a culpa.
Quando você se sente culpado sua fala é cheia de lamentação e vitimosidade. Você quer fazer a roda da vida girar para trás e começa a condenar moralmente uma atitude tomada há muito tempo. E julgar-se moralmente pelo passado é uma forma de enlouquecer, pois voltar no tempo é impossível. E essa prepotência pode fazer sua vida paralisar por muitos anos.
Mas quando você assume a culpa e percebe a seriedade do prejuízo, a culpa cede lugar a uma consternação silenciosa. E esse sentimento é realmente curativo. Depois do mal cometido é preciso que a dor e não a culpa tenha lugar no seu coração.”

A pessoa que realmente se responsabiliza sobre aquelas maldades que cometeu raramente reincide. Ela se torna mais compenetrada sobre suas atitudes e, portanto, acaba rastreando dentro de si mesmo algum sinal de alerta de um mal que se aproxima.
Você passa a ter um radar para maldades internas e externas. E não se penitencia sobre as próprias atitudes, mas se torna consciente de cada movimento sombrio.
Normalmente a pessoa que tem medo de fazer alguma grande bobagem pode cair em duas opções. Ela não é capaz de fazer nem 10% do que pensa que poderia fazer. Ou ela é uma pessoa realmente capaz de tudo, e provavelmente essa pessoa não estaria lendo sobre esses assuntos.
Normalmente nós superestimamos nossa capacidade de fazer o mal e subestimamos nossa ação maldosa real. Aquilo que consideramos um mal normalmente é menor do que consideramos algo bom. É estranho, mas tenho observado isso. O mal imaginado é menor que o falso bem realizado!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Geyse e Uniban

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Pois quando apedrejamos moralmente
Geyse (...)estamos renegando
o nosso próprio exibicionismo,
desejo e sensualidade.
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No livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" comento sobre a 3a lei da sombra que se intitula
"A sombra pode ser projetada no outro"

"Um dos mecanismos que utilizamos para fugir das sombras é projetá-la nos outros.
É como se houvesse uma novela diante dos olhos. Você fica bravo com o bandido e feliz quando o mocinho vence. No entanto, essa novela se passa em sua cabeça.
A dificuldade de olhar para as imperfeições (e cada um cria a sua) faz com que você olhe esse espetáculo de uma platéia onde tudo é confortável.
Toda vez que você fofoca sobre o azar do vizinho ou do colega de trabalho está na verdade falando de si mesmo.
Você pode passar uma vida inteira vendo a sua sombra (e chance de evolução) rondar seus passos e fingir que o problema está nos outros.
Talvez agora esteja se perguntando, então, tudo o que me incomoda nos outros é minha sombra?
A resposta é sim e não. Sim, pois se isso te incomoda e afeta descontroladamente é sombra."


O acontecimento envolvendo a estudante da Uniban trata de um fato psicológico que se tornou um problema de ordem social.
Esse texto não é uma análise político-social sobre quem tem razão, é apenas uma análise psicológica.
A idéia de que uma mulher provoque a libido e raiva nos outros é contraditória.
De um lado os homens adoram esse comportamento provocativo nas mulheres, no entanto recriminam essa atitude como se fosse de uma vagabunda.
O homem ama e odeia as mulheres que provocam seus desejos. Desejam e se intimidam com esse tipo de ousadia. Só a eles e autorizado o comportamento ativo na conquista sexual.
No caso das mulheres também causa ambiguidade. De um lado elas desejam atrair fisicamente o olhar dos homens, no entanto, não querem ser só vistar como corpo. E da mesma forma com que provocam os homens não gostam de outras mulheres que fazem o mesmo. Consideram a si mesmas como sedutoras discretas e meigas e classificam as rivais como vadias vulgares.
É estranho como lidamos com esse tipo de situação.
Pois quando apedrejamos moralmente Geyse ou qualquer mocinha voluptuosa da vizinhança estamos renegando o nosso próprio exibicionismo, desejo e sensualidade.
Na verdade ainda temos receio de nossos impulsos. Não gostamos de ver a sensualidade escancarada à céu aberto e acabamos condenando uma pessoa que nos lembre que o desejo é real.
Somos seres sexuais, além de intelectuais.
Colocar uma hierarquia nessas dimensões seria como dizer que a audição é mais importante que a visão e vice-versa.
É curioso também perceber como sob determinadas circunstâncias podemos fazer o mal. Agir junto com uma turba de alunos descontrolados com ameaças físicas e verbais contra uma pessoa.
Justificados por receber uma agressão de um tipo de roupa dita inadequada ou um comportamento dito exageradamente provocativo (do alto da boa moral e dos bons costumes) agiram de uma maneira desproporcionalmente violenta contra uma pessoa.
Pessoas ditas boas e justas podem ser tão impiedosas quanto aquelas que condenam.
Talvez a história de Geyse nos ajude a perceber o quanto ainda guardamos sérias condenações no que se refere à sexualidade, a como a exibimos e como somos vistos pelos outros.
Bela sombra!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desafio do mal!

Vou lançar um desafio nesse blog...
Você irá colocar um comentário anônimo e confessar:
QUAL FOI A MAIOR MALDADE QUE VOCÊ FEZ NA SUA VIDA?
Depois do décimo comentário eu vou começar a selecionar a melhor maldade até que eu eleja uma delas e escrever um texto a respeito!
Não postarei mais nenhum texto até ver 10 comentários no blog.
Se eu vou colocar qual foi minha maldade?
Sim, mas será entre os anônimos.
Qual é a graça de confessar publicamente?
Aguardo os comentários!

Beijos e abraços!

Frederico mattos

sábado, 31 de outubro de 2009

Animais de estimação e a sombra

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Uma grande carência de uma
sociedade que não suporta
mais contato humano
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No livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" falo sobre a 3a lei da sombra que diz "A sombra pode ser projetada no outro ", esse texto fala sobre isso.
Se você não tem um animal de estimação tenha. Está na moda ter um pet.
Em épocas que livros com cachorros, gatos, papagaios, leões, elefantes, hipopótamos, macacos vendem como água (que inveja!) você precisa entrar para essa tribo.
É curioso como os animais de estimação estão sendo promovidos a semi-deuses domésticos. Eu adoro eles, nada contra, mas é de se estranhar que um cachorro tenha uma cama maior do que qualquer filho de classe média teria.
Noto nessa idolatria pet uma grande carência de uma sociedade que não suporta mais contato humano. É tão insuportável conviver com as frustrações humanas que as pessoas preferem adotar um relacionamento “íntimo” com um animal.
Essa idéia foi celebrizada por uma artista que disse "quanto mais eu conheço os homens, mais eu gosto do meu cachorro".
É fácil, pois o bicho não resmunga, não se magoa, não questiona, não deduz, não imagina o que você está pensando e portanto, reage conforme suas expectativas e desejos.
Provavelmente a pessoa que adora animais deve estar pensando agora “esse Fred não deve ter um pet para falar isso, é lógico que eles pensam e sentem...”
Nada mais bonito que a projeção psicológica para fazer alguém acreditar que o animal sente e pensa como um humano.
Todas as fantasias não realizadas, sonhos frustrados, maternidades mal elaboradas encontram na petlândia um terreno propício para verdadeiros shows de horrores.
Os animais depois de um tempo escravizam seus donos. O cientista é dominado pelo monstro que criou.
Isso não é uma visão pessimista da situação, mas é um retrato de como nos distanciamos de nossa essência humana. Esse é um sinal de nossa intolerância e busca de relações idealizadas. No fundo nos sentimos frágeis e vulneráveis diante de relações humanas reais, não queremos nos arriscar. Preferimos um ser (e eles são adoráveis, por favor tenha um pet) que apenas responde do que um ser que reage de forma independente e pode nos machucar.

Estamos com um sentimento de isolamento existencial enorme. Mas a solução não é a negação. Não adianta ficar sentado em cima do elefante, pois ele não irá desaparecer. Se procuramos realmente uma conexão verdadeira precisamos nos movimentar nessa direção e sermos humanos também. Apenas receber um amor incondicional não basta.

É a sombra dominando mais uma vez!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mãe, cuidado e inveja

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Muitas mães escondem atrás
dos cuidados a inveja
que têm dos filhos
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Vou tratar de um assunto polêmico. (para variar)
Um paciente de seus 20 e poucos anos se queixou do excesso de cuidados de sua mãe zelosa.
"Cuidado com a chuva", "não vá correr no trânsito", "Não seja tão afoito", "não faça nada que depois vá se arrepender".
À primeira vista parece um cuidado carinhoso com o bem estar do filho, mas se olharmos com mais cuidado notaremos uma dose de pessimismo nessas frases de cuidado.
O medo subliminar provoca mais paralisia do que amor. Por trás das frase de cuidado lemos na legenda "vai chover e você vai ficar doente", "você vai sofrer um acidente porque é descuidado e incompentente, eu não confio em você no volante", "você só se mete em bobagens e eu não confio na sua capacidade de decisão e escolha!", "você não pode se arriscar na vida, eu não me arrisco e portanto você também não pode se arriscar, pois vai dar tudo errado".
É estranho dizer, mas como as pessoas deixam de tomar atitudes realmente ousadas na vida elas começam a dar "bons conselhos" para os outros incentivando com amor.
Mas honestamente mãe do meu Brasil, que forma de amar mais "desgracenta".
Amor é cuidado e lucidez e não medo. Muitas mães escondem atrás dos cuidados a inveja que têm dos filhos por eles estarem jovens e fazendo coisas que os pais jão não tem coragem de fazer.
Assuma para si mesmo "eu não tenho coragem de me arriscar mais na vida, mas não posso tirar o direito do meu filho se arriscar, preciso conter minhas recomendações".
Lembre-se que você não tem uma bola de cristal e nem todo o risco resulta em desgraça.
Como seria então uma boa recomendação de mãe.
Seria algo do tipo "o tempo está estranho hoje, será que vai chover?", "eu fico mais segura quando vejo você se cuidando", "eu admiro seu jeito de ser independente e tentar novas possibilidades", "è importante tentar coisas novas, a gente sempre tira um apredizado de tudo!"
O amor com consciência e cuidado!
Mas tenho certeza que se você olhar para o seu autocuidado e viver plenamente com certeza você irá ficar feliz com as ousadias de seus filhos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O trânsito e a sombra

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Os demônios interiores
afloram ao ronco do motor
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No livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" comento sobre a repressão dos sentimentos. Esse texto trata disso!
O trânsito de São Paulo é caótico. No entanto, acho que a coisa mais caótica do trânsito é o motorista paulistano.
O sujeito está dentro de um carro (e sempre acha que o seu é o melhor e mais possante) e se sente blindado e imunizado de qualquer reprimenda moral.
Buzina como uma criança desaforada. Acelera sobre os carros menores como se fosse um cachorro violento. Grita palavrões como se estivesse no quintal de casa (nem lá seria tão grosseiro).
Por que razão?
Pelo simples motivo do anonimato escondido na lataria possante.
A sombra come solta nas ruas paulistanas. Tudo que aquele homem recatado seria incapaz de fazer à pé ele realiza atrás do volante. As mulheres que quando caminham são tão doces viram verdadeiras guerreiras amazonas sobre quatro rodas.
Os demônios interiores afloram ao ronco do motor.
O motorista paulistano sofre do que chamei a “Síndrome de Ambulância”. Ele acredita que tem o mesmo privilégio que uma ambulância que carrega um moribundo. Mas a pessoa prestes a morrer é o motorista ao lado.
O sujeito acelera em cima dos outros carros como se fosse o dono da avenida. Ele se sente no direito de aterrorizar porque está com pressa. Simples motivo. Mas ele se esquece que todos estão com pressa.
Na sua fantasia ele gostaria que todos os carros abrissem passagem para a vossa realeza passar com a carruagem majestosa.
Felizmente, o trânsito de São Paulo é justo com todos. Todos chegam atrasado!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Eu tenho medo das pessoas boas

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As que se acham boas
normalmente são as
que mais agridem
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Depois do lançamento do livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" muitas pessoas vieram me perguntar "por que fazemos o mal?"
Essa pergunta não tem uma resposta simples e nem curta, mas posso dizer que na maior parte das vezes fazemos o mal porque pensamos fazer o bem.
Eu sempre confio mais em quem se assume um pouco torto do que naqueles que se entitulam corretos!
As pessoas "boas" sempre tem uma boa razão para agir de todas as maneiras. Elas se autorizam agir de uma forma dura e até reativa porque julgam agir bem.
Mães que sufocam os filhos a pretexto de educar.
Amigos que passam amigos para trás com a idéia de que eles vão compreender.
Maridos que destratam a esposa por achar que cumpre com seus deveres maritais.
Mulheres que maltratam o marido com a justificativa de colocá-lo nas rédeas.
Chefes que humilham empregados para explicar o atingimento de metas.
O problema é que esse é o começo da história. Com o tempo aquela brechinha moral se torna um abismo.
Depois de ter uma boa razão para "educar" alguém a pessoa começa a destratar até maltratar. Então, o mal está feito.
Aquelas pessoas que se admitem invejosas ou peçonhentas normalmente são as que mais procurarm se educar para que as garras não apareçam.
Mas aquelas que se acham boas normalmente são as que mais agridem com uma boa justificativa como pano de fundo!
Eu tenho medo delas!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Agradecimento

Agradeço a todos que compareceram no dia do lançamento do meu livro!
Espero que estejam gostando da leitura e por favor dêem seus feedbacks e divulguem o livro!
Depois informo outras formas de adquirir o livro!
Você pode adquirir pessoalmente no
Instituto Evoluir que fica à Rua Fernandes Pinheiro, 295 - Tatuapé - São Paulo.
Ou
enviando um e-mail para mim no porquefazemosomal@yahoo.com.br
Ou
Pela livraria virtual Asabeça
http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=4948&kb=852
Em breve no site da livraria Cultura!
E se você tiver contato com algum dono de livraria e quiser apresentar o livro, por favor entre em contato!
Abraço a todos, e depois coloco as fotos!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Hippies X Capitalistas

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Um é o espelho invertido do outro
e ambos têm algo em comum
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No livro de auto ajuda e psicologia "Por que fazemos o mal?" comento sobre "Vender a alma ao diabo", esse texto trata disso.
Eu acho curioso algumas coisas (acho muitas coisas curiosas). Algumas pessoas são tão preocupadas com o mundo material e outras tão preocupadas com o mundo espiritual. E na maior parte das vezes uma acaba virando um pouco da outra.
Quantas pessoas você conhece que um dia já foram hippies e hoje são workaholics. E pessoas que grande notoriedade e proeminência financeira que deixaram tudo e foram se dedicar à buscas espirituais?
Chego à conclusão, que no final das contas um é o espelho invertido do outro e ambos têm algo em comum: fogem da vida comum.
O chamado capitalista extremo foge da vida comum buscando um mundo material onde ele não seja privado de nada e não passe nenhum desconforto ou frustração.
O chamado espiritualista extremo foge da vida comum transcendendo o mundo material em busca de um mundo espiritual cheio de paz e com uma plenitude imune a qualquer desejo perturbador ou fracasso pessoal.
A cura para ambos seria mergulhar um pouco na vida como ela é.
Uma dose de céu para o capitalista e uma dose de terra para o espiritualista.
Todo extremo contém em gérmen o seu pólo oposto e mais dia menos dia um irá se converter no outro. Essa conversão radical é sinal de cura?
Nem sempre, pois qualquer extremo radical esconde uma sombra oposta muito densa...
No momento que o capitalista ouvir sua sombra desapegada talvez consiga ter uma vida menos estressada e mais equilibrada. E na hora que o hippie new age ouvir sua sombra materialista é possível que sua vida prática, social e financeira se ajuste melhor na realidade que vivemos.
Os familiares certamente irão agradecer essa dica. “Nem tanto ao céu e nem tanto a terra”, já dizia o ditado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cartomantes, simpatias e macumbinhas

Quem nunca foi ou sentiu curiosidade de ir em algum cartomante?
Adoro as cartomantes, nada contra, mas o que leva as pessoas a tentarem descobrir a qualquer custo o que lhes acontecerá no futuro?
E quem nunca fez uma simpatia? Daquelas de colocar o nome da pessoa amada num papel e depois beijar e jogar no mel (acabei de inventar uma)...
Ou quem nunca ficou morto de curiosidade em ver se uma boa macumbinha iria resolver o desemprego ou trazer de volta a pessoa amada?
O que leva algumas pessoas a querem manipular ou prever o destino de suas vidas?
Acho que dois fatores, elas não confiam na vida e não confiam em si mesmas.
Não confiam em si mesmas, pois acreditam que uma pessoa ou seres com poderes especiais (não estou questionando os poderes de ninguém...) seriam capazes de alterar o rumo das coisas.
É uma crença ingênua num poder exterior a si mesmo que não existiria sem aquele elemento mágico. Isso esconde uma crença secreta de que os nossos desejos têm que ser atendidos de um jeito ou de outro, à qualquer custo.
Na medida que a simpatia ou o despacho for realidade eu posso interferir no destino, na vontade e na ação de uma outra pessoa. É uma sombra de onipotência. Elas se esquecem que o universo não privilegia ninguém. Ninguém passa na frente da fila. Cada um tem seu momento e seu lugar.
O futuro é resultado de uma série de ações no momento presente. Na medida que você se põe à caminho no fluxo da vida qualquer benção ou benefício cósmico chega até você de um jeito ou de outro. Não é preciso dobrar o tempo ou o espaço para que seu desejo ocorra.
Deseje e trabalhe, mas se nada funcionar tenha humildade e comece a rever seus desejos e analise se seu desejo de felicidade inclui a felicidade de outras pessoas...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os capítulos do livro

Só para deixar uma curiosidade!

Apresentação
Introdução
Conceito de sombra
As várias caras da sombra
Máscara
O mundo das sombras tem as suas leis
A sombra no dia-a-dia
Sobre a mente criminosa
Alerta importante – sobre a culpa
Sobre os sentimentos
Por que nunca tenho sucesso?
Sombras em casal
Sombras familiares
Sombras profissionais
Agressividade
Sexualidade
Dinheiro
Existencial
Vender a alma ao diabo
A sombra de nossos tempos
Afinal, o que é o mal?
Qual o limite do mal?
Para quem quiser trabalhar com a sombra
O que as sombras escondem de bom
Paradoxo: o bem e o mal
Benefícios de integrar as sombras
Exercícios· Básico Intermediário Avançado
Conclusão
Filmes indicados
Indicação de livros

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O nome e a sombra

Você já se perguntou sobre a história do seu nome?
Eu já fiz muitas vezes essa pergunta para meus pais e a cada vez que pergunto conheço uma história reveladora sobre minhas sombras.
“Mas até nisso existe sombra, Fred?”, você está se perguntando.
Se eu pensar que a sombra inclui tudo aquilo que me diz respeito mas é inconsciente e velado a mim mesmo, sim, seu nome também carrega uma sombra.
Meu nome, por exemplo, Frederico significa “Príncipe da Paz”. Quer coisa mais metida do que essa? É quase um insulto de tão prepotente que quer dizer esse nome. De fato eu sempre me meti nas brigas dos meus pais (quem nunca fez isso...) porque eu queria que eles se dessem bem a todo custo.
O príncipe da paz sempre se incomodou com pessoas fazendo escândalos ou brigando. Eu sempre quis me preservar de relacionamentos agressivos. E qual é a sombra por trás disso? A agressividade, a briga e a guerra. São coisas que eu preciso me manter sempre alerto, pois meu lado pacífico esconde uma grande propensão para a agressividade e os chutes por debaixo da mesa.
Eu acabava reprimindo minhas raivas, mas elas se manifestavam em forma de teimosia, birra e mau humor. Não deixa de ser uma forma velada de agressão.
Se eu começar a falar sobre como meus pais escolheram o nome... Isso dá uma novela. A versão que minha mãe conta é que meu pai queria que eu tivesse o mesmo nome dele. Mas, então eu chamaria André Neto. Para amenizar ela me deu o nome de Frederico André. Mas meu pai teve um colega de trabalho que ele não gostava com esse nome, mas acabou aceitando. Detalhe... Minha irmã chama Andréa. Original!
E tem mais, minha mãe teve um paquera na adolescência dela com o nome Frederico. Além disso, ela adorava o nome do famoso pianista Frederic Chopin, por sua música espiritual.
Qual a sombra disso? Eu tinha uma certa rivalidade inerente com meu pai e queria casar com minha mãe. Que Complexo de Édipo escondido no meu nome, hein?
Mas tudo bem, depois de muita terapia isso foi se resolvendo e minhas sombras ligadas ao meu nome foram vindo para à luz da consciência.
Depois de me desnudar nesse texto espero que ele tenha esclarecido como podemos descobrir as sombras ocultas no nosso nome e sobrenome.

domingo, 18 de outubro de 2009

Ocultismo e sombra

Algumas pessoas têm uma fascinação por tudo aquilo que é oculto e místico.
Adoram conhecer sobre as forças mágicas da natureza. Ficam fascinadas pelo gosto dos astros, das ervas, dos encantamentos, magnetismos e tudo que revele um segredo oculto do universo.
Mas qual a motivação inconsciente dessas pessoas pelo oculto?
Na realidade, essas pessoas temem tanto o invisível que tentam a todo custo compreender racionalmente o que se passa numa realidade paralela.
Temem serem engolidas pelas forças mais avassaladoras que podem emergir do mundo oculto. Sua fascinação é uma forma de tentar domesticar os demônios indomesticáveis.
Sentem-se especiais, pois estão de posse de um conhecimento secreto e mágico que pode alterar o destino do mundo.
Essa sensação de ter um conhecimento encantado as faz sentir detentoras de habilidades únicas e maravilhosas. Como se possuíssem o dom de realizar grandes prodígios que só estariam reservados a elas.
A grande sombra dos ocultistas é fincar os pés na realidade e colocar sua vida material acontecer de verdade, mas há tanto medo em se subjugar pela matéria que acabam sempre viajando na maionese cósmica.
O curioso é que para quem tem intimidade com o mundo oculto, quase não é preciso se sentir arrastado para os conhecimentos mágicos. Mas são as experiências transcendentais que chegam até a pessoa.
Nilton Bonder, um reconhecido rabino judeu, trata muito bem desse assunto no livro “O sagrado”.
Vale a pena ler...